Conhecer o centro histórico da cidade

Publicado a 18.07.2010 em Guias de Viagens.
Nuno Branco
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Características

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- Zero euros de combustível.

Depois do almoço

Depois do almoço fomos conhecer algumas das atracções da cidade: Janela Manuelina, Sé, Praça da República, Antigos Paços do Concelho, Igreja da Misericórdia, Chafariz, Escultura “Caramuru” e Museu do traje.

Janela Manuelina

Começamos a subir uma das muitas ruas medievais desta zona, a rua do Hospital Velho. No final da rua, na Praça da Erva podemos ver o antigo Hospital Velho, fundado em 1468 que tinha como função abrigar os peregrinos do Jacobeo na sua caminhada para Santiago de Compostela.

Descemos novamente um pouco a Rua do antigo Hospital para seguirmos pela Rua grande, uma vez que a Casa da Janela Manuelina situa-se na rua de São Pedro (ruas separadas pela rua perpendicular Sacadura Cabral).

O nome correcto da casa da Janela Manuelina, como assim é conhecida, é Casa dos Costa Barros. Esta casa, cujo estilo de arquitectura homenageia os descobrimentos portugueses, foi construída no século XVI e desde 1765 pertence à família.

Imagens 360º

Hospital Velho – Interior

Praça da Erva

Casa Costa Barros – Fachada

Voltamos à rua Sacadura Cabral e começamos a subi-la, em direcção à Sé Catedral que foi construída no século XV (1404) no local onde se reunia o concelho como obra de grande aparato a imitar outras sés do País.

Mas o estilo, onde há notória influência galega, é bem do gótico final onde visitamos o seu interior.

Podemos ver a capela do Santíssimo, absidíolo gótico, adaptado a capela (renascença) dos Rochas e depois recorberto de talha dourada joanina.

A capela dos Condes do Camarído é do estilo manuelino, tem dois alteres maneiristas e uma pintura luso-flamenda a óleo sobre madeira representando S. João e a Virgem.

A Capela dos Mareantes, reformulada em estilo rococó, ainda conserva um Cristo morto, renascença e a minitura dum galeão, ex-voto do século XVII.

A sacristia, com belos azulejos “de padrão”, tem um arcaz barroco, tecto rococó e pinturas maneiristas e barrocas.

Imagens 360º

Largo – Sé

Praça da República: Antigos Paços do Concelho, Igreja da Misericórdia, Chafariz, Escultura “Caramuru” e Museu do traje

Continuando até ao final da Rua Sacadura Cabral, podemos deslumbrar um dos ex-libris de Viana: a Praça da República.

Na época medieval chamava-se Campo do Forno, mas após a queda da monarquia em 1910, passou a chamar-se Praça da Republica.

O conjunto é sem sombra de dúvida majestoso.

Do centro, onde se encontra o belo chafariz do século XVI partimos para uma visita em redor a alguns dos monumentos mais ilustres.

Imagens 360º

Praça da República

Praça da República (2)

Praça da República (noite)

Igreja da Misericordia – Interior

Antigos Paços do Concelho

Depois que o antigo lugar de reunião do concelho ter sido ocupado pela igreja de Santa Maria maior (hoje Sé), foi construída fora de portas esta casa da Câmara logo no princípio do século XVI.

É, como tantas outras construções similares do Noroeste Hispânico, um edifício sobradado, tendo no andar nobre a câmara onde reunia a vereação e no piso térreo uma arcada para abrigo das pessoas de escribas que aqui redigiam, para os iletrados, requerimentos e outros documentos endereçados à Câmara.

A reconstrução feita manteve-lhe dois largos arcos góticos e rasgou entre eles um outro de vão mais estreito, no local onde em meados do século XVI fora implantada uma porta de aros almofadados.

Chafariz

Obra de João Lopes o Velho, foi concluído em 1554.

Construção fusiforme com duas taças, integra-se na vasta obra do mestre canteiro que o construiu, mas aqui apresenta-se como obra de transição entre o gótico e a renascença, quer no desenho das carrancas, quer na decoração do fuste e nos motivos da sua parte superior.

Igreja da Misericórdia

A Misericórdia, concluída em 1589 é obra que podemos incluir nassoluções maneiristas, embora a sua traça seja muito original e por isso difícil de inserir nas correntes artísticas definidas para o maneirismo.

O consistório é edifício de três andares com uma “loggia” térrea em estilo jónico e duas varandas sobrepostas ritmadas por atlantes que lhes sustentam as arquitaves, assentes em curiosos plintos tronco-piramidais invertidos, decoradas com máscaras.

A igreja foi construída no século XVIII por Manuel Pinto de Vilalobos.

Nela se destaca o lanternim que ilumina a capela-mor, o interior é ricamente decorado com talha de “estilo nacional”, azulejos de Policarpo de Oliveira Bernardes, tecto pintando “a brutesco” e sanefas em talha rococó.

Nos altares, imagens estofadas de estilo barroco joanino.

Escultura “Caramuru”

Esta estátua, inaugurada na passagem de ano de 2008 para 2009, da autoria do Mestre José Rodrigues, foi uma forma da Câmara Municipal homenagear Caramuru, figura épica vianense intimamente ligada à História da fundação do Brasil.

Caramuru, ou Diogo Alvares Correia, natural de Viana do Castelo, foi um destemido navegador que naufragou na Bahia de Todos os Santos, no Brasil, em 1508, e que está intimamente ligado à história daquele país.

Quando, a seguir ao naufrágio, usou a sua arma de fogo e matou um pássaro, surpreendeu de tal modo os índios que estes lhe atribuíram poderes divinos.

Casou depois com a filha do chefe da tribo Tupinambá, Paraguaçu, tendo depois tido grande influência quer na miscigenação que caracteriza a nação brasileira quer no acolhimento dos portugueses em terras de Vera Cruz.

Museu do Traje

O Museu do Traje foi criado em 1997 ocupando um edifício de arquitectura tipicamente “Estado Novo” construído entre 1954 e 1958 para albergar o Banco de Portugal sob o traço de Sousa Araújo, José Cabral e Moura Alves.

O encerramento do Banco de Portugal no início da década de noventa criou a oportunidade ideal para que a Câmara adquirisse o edifício, em 1997.

A sua colecção, inicialmente composta por 471 bens culturais relacionados com o traje, tem actualmente mais de 2000 peças conseguidas por aquisições, doações e transferências.

Conta com a exposição permanente “A lã e o linho no traje do Alto Minho” e apresenta exposições temporárias sobre diferentes aspectos da cultura rural vianense.

Tem vindo a implementar, ao longo dos seus anos de vida, um intenso trabalho de estudo e divulgação do Traje (edição de 27 catálogos, três vídeos documentais, um centro de documentação, recolha de testemunhos), mas também de formação de três núcleos museológicos (Moinhos de Água da Montaria, Moinhos de Vento de Montedor e Museu do Pão de Outeiro), programas pedagógicos e ateliers de tempos livres e ainda a criação de uma visita ao museu para invisuais.

Câmara da Municipal

Depois de visitarmos a Praça da República, seguimos em direcção Câmara Municipal, através da Rua Cândido os Reis. Ao percorrermos esta rua deparamo-nos com duas magníficas casas que chamam a atenção devido à sua imponência: a Casa dos Alpuins e a Casa das Carreiras.

Imagens 360º

Casa das Carreiras

Casa dos Alpuins

Casa construída em manuelino “de resistência”, possivelmente já no século XVII, mas ao gosto do estilo arquitectónico manuelino, mais prestigiado por estar ligado ao período brilhante das descobertas, e que o patriotismo fazia realçar, em época de dominação habsbura.

A casa foi, porém, construída sobre um edifício manuelino.

No século XVII foi-lhe implantada uma capela, no século XVII realizado o belo estuque rococó dum quarto interior e no século XIX uma escada de aparato.

Casa das Carreiras

Esta casa é onde está instalada a Câmara Municipal de Viana do Castelo.

Construída no século XVI na saída da vila chamada “a carreira”, foi obra do burguês nobilitado Fernão Brandão feita em 1527, tendo passado depois, por casamento, para uma linha de Abreus e depois, novamente por casamento, nela se entroncou um ramo limiano de Távoras.

São esses os apelidos constantes dos brasões da casa: Távora, na fachada principal, picado no tempo de D. José; Távora (picado) e Abreu nos escudetes das portas que dão para a Carreira; Távora (picado), Abreu, Pereira e Castro no brasão esquartelado da capela.

O Edifício foi totalmente remodelado em meados do século XVIII pelo arquitecto militar Manuel Pinto de Vilalobos, que, com elementos quinhentistas reaproveitados e outros recriados, construiu um dos primeiros edifícios revivalistas (neomanelino), enquanto a fachada norte (onde está a capela) seguia os cânones barrocos.

Congregação Nossa Senhora da Caridade

Mesmo no final da Rua Cândido dos Reis, perpendicular à Rua dos Bombeiros, podemos observar o Convento de Santa Ana, hoje designado por Congregação Nossa Senhora da Caridade.

Edificado no séc. XVI, da reconstrução que sofreu nos séculos XVII e XVIII, perduram, no interior da igreja, os retábulos em talha dourada, as esculturas, os azulejos e o tecto em caixotões com pintura figurativa.

A fachada actual é resultado de uma remodelação operado no século passado e a Igreja de São Domingos do século XVI foi mandada edificar por D. Bartolomeu dos Mártires, arcebispo de Braga e é notável pelo interior maneirista e retábulos dos sécs. XVII e XVIII.

Imagens 360º

Congregação Nossa Senhora da Caridade / Convento Santa Ana

Teatro Municipal Sá de Miranda

Continuando um pouco pela Rua dos Bombeiros, podemos observar, ao lado direito, o Teatro Municipal, inaugurado em 1885, com o objectivo de ser um edifício civilizador, e projectado por José Geraldo da Silva Sardinha.

É constituído por uma plateia em forma de ferradura e três ordens de camarotes, com capacidade de 400 lugares.

Tem acolhido os mais importantes espectáculos de Música, Teatro, Ópera, Dança e Cinema da região, tornando-se um ponto de referência na cultura vianense e alto-minhota.

Largo da Estação Ferroviária

Voltando para trás, pela Rua dos Bombeiros, e continuando pela Avenida Conde de Carrera, conseguimos ver o largo da Estação Ferroviária menos no final da Avenida dos Combatentes da Grande Guerra.

A estação dos caminhos-de-ferro de Viana do Castelo foi projectada pelo Engº Alfredo Soares e construída entre 1878 e 1882.

Localiza-se onde era a cerca do solar dos Camaridos (Melo Alvim) e o Convento de S.Teotónio (Crúzios) que foram demolidos.

Ao lado foi construída a Estação Viana Shopping onde temos a possibilidade de recorrer ao comboio ou ao autocarro, que se localizam no Piso 0 do Estação Viana, funcionando como interface de transportes urbanos e inter-urbanos.

Através do Largo da Estação podemos observar toda a Avenida dos Combatentes até à Praça da Liberdade.

Imagens 360º

Estação Viana Shopping – Avenida dos Combatentes

Estação de Comboios (2)

Casa Alvim

Crédito pelas imagens 360º: 360 Portugal.



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Comentários ( 2)

Gostei de saber um pouco mais sobre a história do Largo da Estação Ferroviária.

António Frias adicionou as seguintes palavras pertinentes em 24.03.2010 às 20:26.

Certo…e eu não fazia ideia que tinha sido ali o Convento de S.Teotónio. Informação muito interessante! Parabéns!

Lara Albuquerque adicionou as seguintes palavras pertinentes em 24.03.2010 às 20:28.

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